Neste episódio, falarei sobre um pesadelo que tive por quase duas décadas.
Primeiramente, caso você tenha escutado o episódio Assombração em São Paulo, em que conto a história do apartamento que meus pais alugaram quando eu ainda não havia nascido, este aqui pode ser considerado uma continuação. O pesadelo do qual vou falar hoje também tem relação com um apartamento, mas um outro apartamento, diferente daquele de outrora.
Para contar esse pesadelo, preciso dizer o que aconteceu antes de eu começar a tê-lo. Quando eu tinha dez anos de idade, meus pais tiveram que se mudar do apartamento onde morávamos desde que nasci. Essa mudança em especial não afetaria meu cotidiano, pois continuaríamos morando no mesmo prédio; só iríamos para o último andar.
O prédio tinha uma construção um pouco diferente. Do lado direito, voltado para a avenida, parecia ter apenas três andares. Porém, do lado esquerdo, voltado para uma rua mais baixa, tinha sete andares, como também duas entradas opcionais.
Quando nos mudamos para o sétimo andar fomos para o lado da avenida. Meus pais e minha irmã estranharam muito, pois o quarto deles dava para a rua e logo cedo já se ouvia a agitação da cidade, barulho de buzinas, carros, ônibus. O meu quarto dava para a parte interna, então eu não escutava barulho nenhum.
A adaptação foi difícil e ninguém gostava do apartamento; todos sentíamos falta do anterior. Como minha mãe e meu pai trabalhavam fora e minha irmã só voltava à noite para casa, eu era quem mais ficava sozinho ali. Pela manhã, minha mãe sempre estava comigo, à tarde eu ia para a escola, mas quando voltava, às seis, ficava sozinho por quase três horas. Aos sábados era pior, pois meus pais trabalhavam o dia todo e minha irmã nunca estava por lá.
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