Entre 1500 e 1822, enquanto a história oficial focava apenas nos homens, os capitães e generais, dezenas de mulheres ajudavam a transformar o Brasil. Muitas delas foram esquecidas e nunca documentadas pelos seus feitos, mas o trabalho de historiadores nas últimas décadas trouxe algumas trajetórias dessas mulheres de volta à luz.
Para começar a falar sobre as mulheres do Brasil Colônia, vamos iniciar com as mulheres indígenas das quais criaram a primeira geração de mestiços do Brasil.
Basicamente, na época em que os portugueses chegaram, os povos nativos reagiram de várias formas: uns lutavam e outros tentavam negociar. É nesse cenário de tensão que surge a Catarina Paraguaçu, filha do Taparica, um poderoso chefe Tupinambá. Paraguaçu teve seu casamento arranjado com o português Diogo Álvares Correia (conhecido na história como o Caramuru) para fechar um acordo de paz entre os portugueses e os tupinambás.
Em um mundo dominado pelos homens, Paraguaçu não teve a opção de escolher seu destino, mas usou da melhor forma possível a sua situação. Paraguaçu foi uma diplomata inteligente, acalmou conflitos entre os dois povos, negociou com os portugueses e se tornou a grande mãe da primeira elite mestiça da Bahia.
Sua filha, Madalena Caramuru, tornou-se a primeira mulher brasileira alfabetizada do Brasil. Algo interessante foi que em meados do século XVI, Madalena Caramuru escreveu uma carta ao bispo de Salvador pedindo o fim dos maus-tratos e da exploração das crianças indígenas que aprendiam a ler, registrando uma das primeiras manifestações políticas escritas do país.
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