As cartas a Esmirna e Pérgamo nos conduzem à revelação de Jesus Cristo e à escolha entre dois caminhos: buscar nossa própria exaltação ou seguir o Senhor no caminho da cruz. Mais do que conhecer acontecimentos futuros, precisamos reconhecer quem Jesus é e como ele responde às necessidades da igreja. Aquilo que parece perda aos olhos humanos pode ser, diante de Deus, um caminho de glória.

A cruz revela o caráter de Jesus, que não se apegou à sua glória, mas se esvaziou, tornou-se servo e foi obediente até a morte. Por isso, Deus o exaltou sobremaneira.¹ Segui-lo exige negarmos a nós mesmos e tomarmos diariamente a nossa cruz.² Não se trata apenas de enfrentar sofrimento, mas de escolher a vontade do Pai em lugar da nossa, servindo, rejeitando a tentação e renunciando à busca de reconhecimento. Essa caminhada exige perseverança e nos ensina a tratar os irmãos com paciência e misericórdia, ajudando-nos mutuamente.

Em Esmirna, a fidelidade ao Senhor trouxe pobreza, rejeição e perseguição. Jesus, porém, se apresenta como aquele que esteve morto e tornou a viver. Ele conhece a tribulação daqueles irmãos e declara que, apesar da pobreza, são ricos. Não promete impedir o sofrimento, mas os chama à fidelidade até a morte, assegurando-lhes a coroa da vida e a vitória sobre a segunda morte.³ Também nós podemos confiar em seu cuidado: ele conhece nossas fraquezas, foi tentado sem pecar e nos oferece misericórdia e graça para o socorro necessário.⁴

Em Pérgamo, apesar de conservarem o nome de Jesus e não negarem a fé, havia tolerância a ensinos que conduziam à idolatria e à imoralidade. A doutrina de Balaão expressava essa cilada: afastar o povo da vontade de Deus mediante concessões que pareciam vantajosas. Jesus se apresenta com a espada afiada de dois gumes e exige arrependimento.⁵ Precisamos permitir que sua palavra revele e separe aquilo que não corresponde à sua vontade. Manter o nome cristão não nos dispensa de viver segundo os padrões do Reino.

A passagem da perseguição para a proteção e os benefícios do império mostra outro perigo: a proximidade com o poder pode abrir espaço para interferências na vida da igreja e para a relativização da palavra. A aprovação do mundo pode nos levar a baixar a guarda tanto quanto suas ameaças procuram nos fazer recuar. Não precisamos negociar a obediência para garantir sustento ou segurança. Ao vencedor, Jesus promete o maná escondido e a pedrinha branca com um nome novo, apontando para seu sustento, sua garantia e uma relação pessoal e íntima com ele.⁶

Vivemos no mundo, mas não pertencemos a ele. Nossa cidadania e nosso tesouro estão nos céus. A cada dia, somos chamados a escolher o caminho que Jesus percorreu, confiando que a aparente derrota não é o fim daqueles que permanecem fiéis. Se desejamos estar com o Cordeiro naquele dia, devemos segui-lo hoje por onde quer que ele vá.⁷ Com a ajuda do Senhor e dos irmãos, renovemos nossa disposição de tomar a cruz e permanecer firmes até o fim.

Perguntas para reflexão

  1. Em quais decisões preciso renunciar à minha vontade para seguir Jesus e tomar diariamente a minha cruz?

  2. Como a certeza de que Jesus conhece minhas dificuldades fortalece minha fidelidade nas provações?

  3. Que vantagens, aprovações ou práticas do mundo podem estar me levando a relativizar a palavra de Deus?

Referências bíblicas

  1. Filipenses 2:5–11.

  2. Lucas 9:23.

  3. Apocalipse 2:8–11.

  4. Hebreus 4:15–16.

  5. Apocalipse 2:12–16.

  6. Apocalipse 2:17.

  7. Apocalipse 14:1–4.

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