Deus nos chama para viver perto dele e exercer o sacerdócio. Seu propósito permanece, mesmo quando buscamos caminhos segundo nossa conveniência. Ao libertar Israel do Egito, o Senhor anunciou que desejava um reino de sacerdotes e uma nação santa. O povo concordou, mas, diante da manifestação de Deus no Sinai, teve medo e pediu que Moisés falasse em seu lugar. O convite à proximidade deu lugar ao distanciamento e à escolha de um intermediário.¹


Nesse contexto, o sacerdócio ficou restrito a Arão e seus descendentes.² Contudo, o propósito de Deus não se limitava a uma linhagem: ele queria um povo inteiro perto de si. Antes do sacerdócio levítico, Melquisedeque já aparecia como rei e sacerdote do Deus Altíssimo. Apresentado como semelhante ao Filho de Deus, ele aponta para o sacerdócio permanente de Cristo, que não depende de sucessão hereditária e permanece para sempre.³


No julgamento de Jesus, esses dois sacerdócios se encontram. Caifás, o sumo sacerdote, rasgou suas vestes, embora a lei lhe proibisse esse gesto. Esse ato assinala o encerramento do sacerdócio levítico.⁴ Em contraste, os soldados preservaram inteira a túnica de Jesus, lançando sortes sobre ela. A túnica que não foi rasgada anuncia a permanência do seu sacerdócio: o propósito de Deus continua íntegro.⁵


Pelo sangue de Jesus, temos liberdade para entrar no Santo dos Santos. O véu foi aberto, e somos convidados a nos aproximar com coração sincero e plena certeza de fé. Já não precisamos responder com o medo que manteve Israel distante. Podemos acolher esse convite amoroso, com o coração purificado, e guardar firme a esperança, porque aquele que fez a promessa é fiel.⁶


Em Cristo, já somos raça eleita, sacerdócio real, nação santa e povo de propriedade exclusiva de Deus. Não recebemos apenas a possibilidade de alcançar essa condição: fomos incluídos nela por meio daquele que ouviu a voz do Pai e guardou sua aliança. Nós, que antes não éramos povo, agora somos povo de Deus e alcançamos misericórdia. Essa identidade tem uma finalidade: proclamar as virtudes daquele que nos chamou das trevas para sua maravilhosa luz.⁷


Exercemos esse sacerdócio seguindo o modelo de Jesus, que teve compaixão dos perdidos e necessitados. Todos nós, homens e mulheres, somos chamados a ir, fazer discípulos, batizar e ensinar a guardar o que ele ordenou.⁸ Respondemos ao Senhor quando nos aproximamos dele e nos colocamos à sua disposição para buscar aqueles que ainda não o conhecem. Assim, participamos do seu propósito de formar uma família unida, numerosa e semelhante a Jesus, para a glória de Deus.


Perguntas para reflexão

1. Tenho acolhido o convite de Deus à proximidade ou deixado que o medo e a conveniência me mantenham distante?

2. Como a certeza de que já faço parte do sacerdócio real transforma minha maneira de viver e servir?

3. Que atitude concreta posso tomar para buscar os perdidos e ajudá-los a seguir Jesus?


Referências bíblicas

1. Êxodo 19:4-8; 20:18-21.

2. Êxodo 28:1-3.

3. Hebreus 7:1-3.

4. Mateus 26:63-65; Levítico 21:10.

5. João 19:23-24.

6. Hebreus 10:19-23.

7. 1 Pedro 2:9-10.

8. Mateus 28:19-20.

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