“Por isso, celebremos a festa, não com o velho fermento, nem com o fermento da maldade e da malícia, e sim com os pães sem fermento, os pães da sinceridade e da verdade.”¹
A vida com Cristo deve ser marcada por celebração. Não uma celebração superficial ou apenas exterior, mas uma resposta consciente e transbordante ao que Jesus fez por nós. Podemos celebrar porque Cristo, nosso Cordeiro Pascal, foi sacrificado em nosso lugar.¹ Ele é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo² e fomos resgatados pelo Seu precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula.³
A Ceia do Senhor nos faz lembrar dessa realidade. Assim como a Páscoa foi estabelecida como memorial para Israel,⁴ Jesus nos deu o pão e o cálice para fazermos em memória dEle.⁵ Não lembramos de alguém simplesmente ausente, mas daquele que está vivo, presente e operando entre nós. A base da nossa comunhão com Deus não está em nossos méritos ou desempenho, mas na obra perfeita de Cristo. Por isso, podemos contemplar o Cordeiro e nos unir à proclamação celestial: “Digno é o Cordeiro que foi morto”.⁶
Mas a mesma Palavra que nos chama para a festa também nos chama para lançar fora o velho fermento. Um pouco de fermento leveda toda a massa.¹ Aquilo que parece pequeno e tolerável pode alcançar outras áreas da nossa vida. Por isso, diante do Senhor, precisamos permitir que o Espírito Santo sonde o nosso coração, revele qualquer caminho mau e nos conduza pelo caminho eterno.⁷
Esse fermento pode aparecer de maneiras evidentes, mas também de formas sutis: ira, irritação, palavras ásperas, amargura, ressentimento, falta de perdão, impureza, avareza, hipocrisia, ansiedade ou um coração dividido. A Palavra nos chama a levantar mãos santas, sem ira e sem animosidade;⁸ a seguir a paz e a santificação, cuidando para que nenhuma raiz de amargura brote em nós;⁹ e a cultivar um espírito manso e tranquilo, que é de grande valor diante de Deus.¹⁰
Essa limpeza precisa alcançar especialmente a vida dentro de casa. O Senhor deseja sinceridade e verdade nos relacionamentos mais próximos: entre marido e mulher, pais e filhos, irmãos e discípulos. Aos maridos, a Palavra ordena que vivam a vida comum do lar com discernimento, consideração e honra, lembrando que são juntamente herdeiros da graça da vida.¹¹ Não podemos querer celebrar ao Senhor enquanto permitimos que dureza, desonra, falta de perdão ou impureza permaneçam escondidas em nosso coração ou em nossa casa.
Também precisamos vigiar aquilo que permitimos entrar pelos nossos olhos e ocupar nossos pensamentos. Não devemos ser condescendentes com o pecado, tratando como inofensivo aquilo que pode, pouco a pouco, contaminar toda a massa. O chamado é para abandonarmos a velha vida e celebrarmos com os pães sem fermento da sinceridade e da verdade.¹
Quando Deus tirou Seu povo do Egito, Faraó tentou impor concessões: que eles adorassem sem sair do Egito; que não fossem muito longe; que deixassem parte da família; e, por fim, que deixassem seus bens.¹² Mas Moisés não aceitou uma libertação parcial. Jovens, velhos, filhos, filhas, rebanhos e tudo o que possuíam deveria sair, porque eles tinham uma festa para celebrar ao Senhor.¹³
O mesmo princípio nos alcança hoje. Deus não nos chama para uma vida parcialmente separada para Ele. Não podemos deixar áreas da nossa vida no “Egito”. Nossa casa, relacionamentos, trabalho, recursos, pensamentos, olhos, palavras e decisões pertencem ao Senhor. Somos chamados para celebrar com tudo o que somos e tudo o que temos.
Por isso, celebremos a festa! Contemplemos o Cordeiro Santo de Deus, reconhecendo que somente por Seu sangue temos acesso ao Pai. E, diante dessa graça, examinemos a nós mesmos,¹⁴ lançando fora todo velho fermento. Que não haja concessões com aquilo que pertence à velha vida, mas sinceridade, verdade, santidade e alegria transbordante na presença do Senhor.