Paulo nos chama a ter em nós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus. Ele, sendo Deus, não se apegou aos seus privilégios, mas se esvaziou, assumiu a forma de servo, tornou-se semelhante aos homens e se humilhou, sendo obediente até a morte de cruz. Por isso, Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome.¹

Jesus não se disfarçou de homem e nunca deixou de ser Deus. O Deus eterno verdadeiramente se fez homem. O Verbo se fez carne e habitou entre nós.² Aquele que criou todas as coisas entrou na nossa realidade, experimentou as limitações da condição humana e viveu em completa dependência do Pai e do Espírito Santo. Em seu ministério, anunciou boas-novas aos pobres, liberdade aos cativos, restauração aos quebrantados e libertação aos oprimidos.³

Deus decidiu habitar conosco. Jesus se identificou profundamente com a humanidade para nos salvar. Ele não permaneceu distante da nossa condição: tornou-se um de nós. Aquele que os céus dos céus não podem conter veio morar entre os homens. Não veio apenas nos visitar; veio compartilhar nossa humanidade. Por isso, a encarnação revela de maneira extraordinária a grandeza do amor de Deus por nós.⁴

Essa identificação chegou até a cruz. Jesus se humilhou e entregou voluntariamente a própria vida. Sobre Ele foi colocada a nossa iniquidade, e Ele morreu por nós. Mas a morte não pôde retê-lo. Ao terceiro dia, ressuscitou e se apresentou vivo aos discípulos e, em uma ocasião, a mais de quinhentos irmãos.⁵ Durante quarenta dias apareceu aos discípulos e lhes deu muitas provas de que estava vivo. Depois, diante deles, foi elevado aos céus.⁶

Há algo extraordinário nisso: Jesus não somente se fez homem, morreu como homem e ressuscitou corporalmente. Ele também ascendeu como homem glorificado. Sua identificação conosco não foi temporária. No centro de toda a criação está o Cordeiro que foi morto e venceu. João viu no céu aquele que é digno de abrir o livro e seus selos: o Leão da tribo de Judá que se apresenta como um Cordeiro que havia sido morto. Toda a criação se prostra diante dele em adoração.⁷

Outros líderes religiosos foram homens que querem se fazer Deus, mas Cristo é o Deus que se fez homem. É o Criador se tornando uma criatura, o Deus eterno que assume nossa humanidade. E Ele escolheu esse caminho. Escolheu nascer em humildade, servir, sofrer e entregar a própria vida. Não agiu movido pelo egoísmo ou pela busca dos seus próprios interesses, mas pelo amor e pela obediência ao Pai.

É justamente por isso que Paulo não apresenta a encarnação apenas como uma verdade para admirarmos. Ele começa dizendo: “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus”.¹ A vida de Jesus se torna nosso modelo. Assim como Ele escolheu obedecer, servir e se humilhar, nós também somos chamados a tomar decisões concretas de entrega ao Senhor.

Um dia decidimos seguir Jesus, mas essa decisão precisa continuar viva. Assim como o amor no casamento precisa ser expresso e renovado ao longo dos anos, nossa entrega ao Senhor não deve permanecer apenas como lembrança de uma decisão do passado. Precisamos renovar diariamente nossa disposição de amá-lo, obedecê-lo, viver em santidade, servir e permitir que o Espírito Santo nos transforme.

Seguir Jesus envolve tomar a cruz a cada dia.⁸ É colocar novamente nossa vida nas mãos do Senhor e dizer: “Tudo é teu”. É conservar o coração completamente entregue a Ele mesmo com o passar dos anos, sem permitir que a familiaridade com as coisas de Deus diminua nossa reverência, gratidão e fervor.

Jesus foi fiel até o fim. Deus colocou todas as coisas debaixo dos seus pés e, no fim, o próprio Filho se sujeitará àquele que lhe sujeitou todas as coisas, para que Deus seja tudo em todos.⁹ Diante desse Senhor que se humilhou por nós e foi exaltado acima de tudo, nossa resposta deve ser uma vida continuamente rendida.

¹ Fp 2.5-11; ² Jo 1.14; ³ Lc 4.18-19; Jo 5.19; 17.8; ⁴ Hb 2.14-18;⁵ Is 53.6; 1Co 15.3-8;⁶ At 1.3,9-11;⁷ Ap 5.1-14;⁸ Lc 9.23;⁹ 1Co 15.28.

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