De 2016 para cá, já passou tempo suficiente para que deixemos de tratar a variada gama que compõe o espectro da extrema-direita mundial como uma novidade. Nesse intervalo, surgiram novas nuances, impulsionadas sobretudo pelo desenvolvimento tecnológico e pelas expressões culturais oriundas dos ambientes digitais, mas hoje nada disso nos surpreende. Após dez anos da primeira eleição de Trump e do golpe no Brasil, reconhecemos que a atuação das extremas-direitas deixou de ser apenas uma ameaça para se tornar um dado concreto, instaurado, normalizado e radicalizado em diferentes contextos do mundo.
Nessa conversa com Odilon Caldeira Neto, partimos dos dilemas que se intensificaram nos últimos dez anos e cruzamos as conexões da extrema-direita que se estendem do fascismo histórico às formas contemporâneas da contracultura, passando pela política institucional e por suas expressões aceleracionistas e masculinistas. Trata-se de um campo capaz de arrebanhar não apenas homens brancos e velhos afetados pela crise de 2008, que escancarou as portas para um certo tipo de reacionarismo no norte global, mas também jovens precarizados dos países do sul.
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