Durante a última década, pudemos acompanhar a ampliação do ecossistema artístico que compõe o funk, reverberando o que está presente na dimensão musical e na cultura de baile para outros campos, como a pintura, a fotografia, o cinema, a instalação e a performance. Imaginar que essas produções possam encontrar espaço em ambientes institucionais, receber outras chancelas e alcançar novos públicos pode dar a impressão de que estejam relativamente protegidas das violências que acontecem nas ruas. Mas isso não é necessariamente verdade.
Nas últimas semanas, vimos a repercussão da censura à exposição “Funk: Um grito de ousadia e liberdade”, no Museu da Língua Portuguesa, encerrada antecipadamente em 31 de maio, e como ações desse tipo transformam os debates sobre arte, mais uma vez, em conversas sobre violência. Diante dessa velha realidade que é a perseguição ao funk, nesta conversa com Taísa Machado, uma das curadoras da exposição, tentamos mapear a diversidade dessa atuação funkeira que insiste em subverter espaços, que não abre mão da contradição em nome da assimilação e que, a cada dia, refina ainda mais suas propostas estéticas em diversas frentes.
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