A cena de A Lista de Schindler em que Oskar Schindler observa do alto de uma colina a liquidação do gueto de Cracóvia cria o ponto de partida deste episódio: depois que alguém vê e compreende o que está acontecendo, o que faz com aquilo que sabe? A partir daí, Luciano Pires percorre o conceito de “emigração interna”, sua relação com Hannah Arendt e a banalidade do mal, até chegar às pequenas acomodações do cotidiano, à ignorância pluralística e à diferença entre ter uma opinião e tomar uma posição. Uma investigação sobre o momento em que preservar a consciência pode deixar de ser resistência e se transformar numa forma confortável de continuar participando.
Takeaways • O emigrante interno permanece fisicamente dentro de um grupo ou sistema, mas procura se afastar moralmente daquilo com que não concorda. • O silêncio não expressa necessariamente concordância, mas pode ser interpretado pelos outros dessa maneira e ajudar a criar a impressão de uma maioria que talvez nem exista. • Ter opinião e tomar posição são coisas diferentes: a posição começa quando aquilo que pensamos produz algum efeito, ainda que pequeno, sobre a maneira como agimos.
Capítulos Schindler vê o que acontece lá embaixo Emigração interna: ir embora sem sair do lugar Hannah Arendt e a banalidade do mal Quando “aqui funciona assim” vira acomodação Ignorância pluralística: quando todos se calam A diferença entre ter opinião e tomar posição O silêncio também comunica O que fazemos depois que vemos?
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