A gente já viu por aqui que o antropólogo Tim Ingold, no início de sua recente obra "Antropologia, para que serve", reflete sobre o papel da antropologia no mundo atual. Ele defende que se trata de um empreendimento educativo, de levar os outros a sério e com eles aprender. Aprender em um verdadeiro "diálogo da vida humana", que acontece em um "mundo-no-fio-da-navalha", em uma crise ambiental global sem precedentes, que inaugura uma nova era, o antropoceno.
O episódio de hoje de Antropologia e Educação parte de questões muito semelhantes. Vamos pensar nesse diálogo como um encontro, nos termos da nossa convidada, a ecóloga, educadora e ex-humana Nurit Bensusan. O encontro de que ela fala parte de suas pesquisas em torno dos conhecimentos indígenas a respeito da biodiversidade. Na conclusão de seu livro "do que é feito o encontro", Nurit escreveu uma carta para o Ailton Krenak, importante liderança indígena e escritor, refletindo sobre o encontro entre os diferentes.
Vamos pensar então, com estes dois autores, como o encontro pode ser um caminho para adiar o fim do mundo, parafraseando o célebre livro do Ailton.
Textos base:
KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. [Ler ao menos pp. 7-33].
BENSUSAN, Nurit. “Para Ailton”. In: Do que é feito o encontro. Brasília: IEB Mil Folhas, 2019, pp. 134-143.
Trilha Sonora
Gilberto Gil - Oslodum
Roteiro, produção e edição: Eduardo Di Deus
Antropologia e Educação é um material didático da disciplina de mesmo nome, da Faculdade de Educação da Universidade de Brasília. Produzido no contexto do ensino remoto emergencial entre 2020 e 2021. Episódio gravado em abril de 2021.