Quando tudo parece perdido, o futebol americano recorre à chamada “jogada Ave-Maria”: um lançamento arriscado, feito quase como a última esperança de vitória. A expressão nasceu após jogadores de Notre Dame rezarem uma Ave-Maria antes de jogadas decisivas e voltou a aparecer na história de Project Hail Mary, em que uma missão quase impossível parte em busca da única estrela capaz de oferecer uma esperança para a humanidade. Maria também é essa estrela que aponta para a salvação, não porque guarde a graça para si, mas porque recebe Deus e imediatamente o leva aos outros.
Depois da Anunciação, Maria se levanta e parte apressadamente para a casa de Isabel. O amor verdadeiro não permanece parado, protegido ou acomodado: ele sobe montanhas, entra na vida do próximo e se aproxima com delicadeza. Maria chega, saúda e abraça. Como aquela mãe descrita por sua filha como alguém que fazia muitas coisas bem, mas era realmente a melhor em dar abraços, também podemos acolher com os olhos, com o sorriso, com a escuta e com uma presença que faz o outro sentir-se amado. A caridade de Cristo nos impele a sair de nós mesmos e a perguntar: para quais coisas temos pressa?
Ao ouvir a voz de Maria, João Batista exulta no ventre materno e Isabel fica cheia do Espírito Santo. Maria recebeu o Espírito na Anunciação e agora se torna canal para que Ele alcance outra família. A comparação com a Arca da Aliança revela a profundidade desse encontro: Davi saltou diante da Arca, João salta diante de Maria; a Arca permaneceu três meses em uma casa, Maria permanece cerca de três meses com Isabel; Davi perguntou como a Arca do Senhor poderia chegar até ele, Isabel pergunta como a Mãe do seu Senhor veio visitá-la. Maria é a nova Arca da Aliança, presença materna que traz Jesus, inspira confiança e, ao mesmo tempo, desperta reverência diante da grandeza de Deus.
Quem leva o Senhor dentro de si torna-se semeador de uma alegria que alcança os outros. Maria é bem-aventurada não apenas porque carregou Jesus em seu ventre, mas porque acreditou na Palavra e a colocou em prática. Antes de conceber Cristo na carne, concebeu-o pela fé no coração. Essa mesma fé nos permite acolher Maria sem medo, como São José e Santa Isabel, e abrir completamente as portas para Cristo. Unidos a Nossa Senhora, aprendemos a receber a graça, comunicá-la com generosidade e ajudar muitas pessoas a acreditar, rezando com confiança: “Minha Mãe e Senhora minha, Maria Santíssima, faz com que eu creia!”
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Referências:
- São João Paulo II: “Abri, escancarai as portas a Cristo!”
- Project Hail Mary, livro de Andy Weir e adaptação cinematográfica