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Estado da Nação: retrato de um país descontente que não vislumbra soluções políticas para melhorar

Dela

No debate desta quinta-feira do Estado da Nação, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, fez o que se esperava que fizesse. Deixou ao parlamento a sua visão positiva sobre o trabalho do Governo e garantiu que o país está a melhorar desde que assumiu o cargo. O seu problema maior, porém, está na sintonia entre o teor do seu discurso e a avaliação que os portugueses fazem das suas realizações. Ora, seguindo os dados da sondagem do CESOP, da Universidade Católica, para o PÚBLICO, RTP e Antena 1, essa sintonia não existe. Pelo contrário, 79% dos inquiridos dizem que em 2026 o país está pior do que em 2025. E 12% acreditam que o maior problema com que Portugal se confronta hoje está na falta de liderança, ou inacção, do Governo.

O debate do estado da nação acontece num momento particularmente difícil para o Governo. A confusão e incerteza que paira sobre o processo de avaliação dos exames nacionais do 11º e 12º ano, associado à digitalização das provas escritas em papel, geram apreensão a legitimam a sensação de que esta operação sensível não se fez com a prudência e o rigor devidos. Mas, não basta uma das estrelas do seu governo, o ministro da Educação, Fernando Alexandre estar a ser objecto de dúvidas e de críticas. O caso da casa de campo do ministro da administração interna, outra estrela da governação, promete ensombrar a mensagem positiva que Luís Montenegro se esforçou por deixar aos deputados e ao país.

Apesar de todos estes constrangimentos, a AD aparece lado a lado com o PS nas intenções de voto caso houvesse por estes dias uma nova eleição. O que também não é um bom augúrio para José Luís Carneiro, nem para André Ventura, cujo partido, o Chega, recua para a terceira posição. Mas se este dado da sondagem nos sugere uma situação política bloqueada, deixa também sinais para o futuro pouco promissores. O Estado da Nação descreve-se, assim, com um estado de espírito de um país descontente que não vislumbra alternativas políticas para corrigir a situação. Uma sensação que se reforça quando dois terços dos inquiridos na sondagem afirmam que, apesar do descontentamento, o melhor mesmo é deixar o Governo cumprir o seu mandato.

O que nos dizem estes números e o seu confronto com o natural optimismo de Montenegro? Oportunidade para uma conversa com João António, cientista político e director do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa.

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