Poder Público
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Governo sem estado de graça no debate sobre o estado da governação

Dela

Bem-vindos ao Poder Público. Este é o último episódio antes das férias e a temporada parlamentar fecha com dois temas inevitáveis: o debate do Estado da Nação, marcado pela crise dos exames nacionais, pela defesa dos ministros mais pressionados e pela tentativa de Luís Montenegro de recentrar a conversa nos trunfos do Governo; e a nova sondagem da Universidade Católica para o PÚBLICO, RTP e Antena 1, que mostra o PS a subir, a alcançar a AD, mas também uma maioria de portugueses sem ver uma alternativa melhor para governar.

O debate do estado da nação é o prato forte. Montenegro chegou ao Parlamento com a Educação no centro da polémica, mas recusou a ideia de caos, segurou Fernando Alexandre e também Luís Neves, e tentou mostrar um Governo ainda com iniciativa.

O primeiro-ministro acusou PS e Chega de quererem governar a partir do Parlamento e, em matéria fiscal, responsabilizou ambos por travarem novas reduções do IRS. Ao mesmo tempo, André Ventura desafiou Montenegro a apresentar uma moção de confiança e o PS acusou o Governo de se esconder dos problemas. Quem ganhou o debate? A discussão clarificou alguma coisa sobre a governabilidade? Montenegro saiu mais forte por ter resistido ao cerco, ou mais condicionado por ficar cada vez mais preso entre PS e Chega? Há razões para uma moção de confiança?

No que diz respeito à sondagem, o PS dispara, alcança a AD, o Chega recua e há um crescimento expressivo dos indecisos. Mas há um dado que talvez seja tão importante como a intenção de voto: a maioria dos inquiridos não vê uma alternativa melhor para governar e olha para Luís Montenegro como o menos mau.

A sondagem também mostra uma avaliação mais negativa do desempenho do Governo e a percepção de que o país está pior do que há um ano. Ainda assim, a maioria não quer eleições antecipadas e prefere que o Governo cumpra o mandato. Isto é um travão à estratégia da oposição? No sentido em que PS e Chega têm margem para apertar o Governo, mas não para precipitar uma crise política?

E há um último ponto: José Luís Carneiro chega ao fim desta etapa com sondagens favoráveis, mas também com uma decisão difícil à frente — o Orçamento. Se o PS aparece empatado com a AD, pode sentir-se tentado a endurecer; mas se os eleitores não querem instabilidade, pode ser penalizado por bloquear. Será que a sondagem dá mais força ou mais responsabilidade a José Luís Carneiro? E que pistas deixa para a posição do PS no Orçamento?

Os minutos finais do episódio são para o Público & Notório.

O Poder Público faz agora uma pausa e volta com a política em modo rentrée. Até Setembro.

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